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Uma vez peguei numa amiga recente, (polaca, jovem e bonita) cruzei a serra de Sintra e aterrei ao entardecer/início de noite no Cabo da Roca. Bolos típicos quentinhos no colo. Saímos do meu carro para a ventania lá fora. Portátil e bolos na mão. Ambos quentes. Sentamo-nos no chão junto a um pequenino muro, para não sentir o agreste do local. Desembalamos os nossos doces, sorriamos para as nuvens vermelhas e de mil outras cores e o som que jorrava do computador preenchia os poucos espaços em branco. "Such a Perfect Day" Lou Reed. A partir desse momento esta menina ficou especial para mim .. a minha pequenina Zlotko. Outro dia .. no extremo oposto desta jangada que nunca irá a lado nenhum de nome peninsula ibérica, surgiu este entardecer que me enterneceu. Saio da minha feina com um sorriso nos lábios, beijo pronto a sêr disparado na tua direcção ... Pim ... Pam .... Pum.

muitas vezes vou a descer a rua e individuos chegam ao pé de mim e dizem : ó pedro .. fado ?
É verdade. Ouço Fado. Gosto de Fado e "prontos". Então e porquê ? Porque entre muitas outras coisas existe um fado para cada situação de vida. (...) Era eu miudo. Recém entrado na mui nobre Universidade da Beira Interior. Um dos passatempos favoritos de eu era entrar no comboio em direcção á Beira Interior, sair e voltar a entrar no comboio em direcção a Lisboa. Vinha para Lisboa passear. Ouvir música, comprar bugigangas na feira da ladra e deitar de barriga para o ar no miradouro de São Pedro de Alcântara. Deitava na relva com o meu walkman e sorria. Quando chegou o dia de me encontrar ali com o meu primeiro grande Amor, a música que saía sem pedir licença do meu walkman era a Estrela da Tarde (Carlos do Carmo / Ary dos Santos). Assim quando vejo a menina surgir ao longe naquele final de tarde, estas eram as palavras/sons que estavam a entrar em mim :

"Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia,
eu esperava por ti, tu não vinhas tardavas e eu entardecia ..
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo, mordia
quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhamos tardamos no beijo que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria (...) "

É assim que as músicas ganham vida em nós. É assim que pequenos instantes ficam marcados como momentos únicos na pequena vida de um pequeno rapaz. É assim que muitas e muitas pessoas continuam a ouvir fado. Continuam a ouvir vida.
One day i was sad. Sad as i was , headed to the ocean .. crossed the whole Sintra hills and arrived in a suuny afternoon at Guincho. I do not clearly recall but i bet all my inexistent money that on my radio, Bethânia was singing. Parked my car and stared for a while the long stip of sand, the water filled horizon, the mountain ... everything and nothing really. Got out .. as allways the wind was literally mindblowing. Coat. Camera ready to shoot. Laid on the sand and minutes later i heard footsteps on the sand near me .. "someone's passing by..." Minutes later i sat down and took this photo of the person who had just crossed my path. What is she freakin' doing here ..at this time .. with this wind? I kept on shooting , sand ..water ... birds and rocks and after a while approaching this woman i noticed she was crying. I could just stay still or not. I regret too many things in my life to just stand sill when i see this happen. I walked up to her slowly ... not wanting to scare or give her any reasons to feel alarmed. I went smoothly and she noticed in my eyes that she wasn't the only one crying that day on the sand. She was a foreign girl. German i think. We sat down .. talked ..shared thoughts , emotions, fears and pain. And hopes , and a few smiles and laughs. We even hugged gently. When it was so dark that we could only hear the ocean waves but not see them anymore we just went to our cars and prepared to leave. I had in mine a copy of paul auster's book "In the country of lost things" .. i wrote something apropriate on the cover and gave it to her. She smiled again. No tears coming out of her eyes. We never met again .. we did not share names. All i have except for the moment in me is this picture taken from a distance. People do exist.
author
Jake Simms
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