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Não sei precisar o momento (ou em realidade momentos) em que este TorrejanoAlbicastrense pensou ou decidiu cruzar o escudo invisivel que o mundo traçou á sua beira. Tejo ao Sul e a cordilheira da Serra de Aire e Candeeiros a Norte. Bem vistas as coisas, esta novela Queirosiana começou um pouco depois de nascer. Um médico de familia com uma voz forte o suficiente para soar autoritária disse para a senhora minha mãe: Praia. Praia e Mar! Muito Ar. A resposta a tão criptográfica mensagem chegou em forma de concha numa qualquer praia do fabuloso litoral português. Anos e anos se passaram em que cada um dos fins de semana que Deus (Jesus e outras multicúspides entidades sobre-naturais) tão zelosamente colocou no nosso caminho, foram passados nesta linha imaginária (imaginária para todos voçês, Bem Real para mim) entre Proença-a-Velha na Beira Baixa e São Martinho do Porto na Extremadura. Cada fim de semana de Deus, cada período de férias de glória ... era passada neste eixo. Não me queixo. Inevitavelmente algo teria que passar. Aconteceu Armação de Pêra. Aconteceu Viseu. Descobri que o Mundo não acabava na fronteira com Espanha (esse grande desconhecido ... exportador de um grupo de jovens em bicicleta, assobiando furiosamente uma canção bonita de Verão Azul) a Este. Ou sequer na pequena ilha em forma de Baleia que quando le apetecia e o senhôr do tempo assim o deixava nos agraciava com uma visita efémera no meu horizonte. Aconteceu Valverde del Fresno. Onde cada Páscoa em romaria nos juntávamos para ir comprar caramelos espanhóis. Os outros, os do outro lado da fronteira vinham em romaria a comprar todas as toalhas havidas e por haver a sítios tão sinceramente nossos como Monsanto da Beira, Idanha-a-Nova ou Fundão. Na praia em que cada ano religiosamente eu cumpria a ordem que deram à senhora minha mãe "Praia. Praia e Mar! Muito Ar", pessoas de muitos lados, gente de muitos sítios enchia a minha imaginação com palavras raras, paises impossiveis e fotos de Neve. Ne-Ve. Aconteceu Covilhã e os jogos de futebol improváveis (na mesmíssima Torre) e festas Rave condenáveis (no antigo Sanatório) e os flocos de neve que nunca cairam enquanto fui um dos filhos adoptivos da "Cidade Branca". Aconteceu que uma menina me treinou. Basket,vida e viagens. Cruzei-me no seu caminho e descobri India. Uma outra menina que vi do cimo da minha mui nobre bicicleta Azul Babe ensinou a mim Espanha e Itália. Uma outra deitada nas areias da minha concha deu-me todo o Sul de Portugal. Um Okapi deu a mim toda a Costa Maritima de Europa. Eu punha a fome .. o mundo a vontade de comer. Sei agora .. devagarinho, que esta refeição não chegou sequer ao aperitivo. Eu morro de Fome e tu?
i first arrive here when i was 80 days old.I hated water. I loved playing football. One day someone draged me into the water. My Norwegian friend, Endrik was horrified as he grabed the football that i left unwillingly in the cold humid shell filled sand. After that i never left water. Unless i was playing football in the afternoon before returning to camping. My very first friends in here were a Norwegian boy and Girl, a finish boy with a father that looked like Santa Claus, a french girl i asked to be my girlfriend while hanging on a lamp (a la Dancing in the Rain), 4 spanish brothers (3 girls, 1 boy) that went everywhere on their bikes and teached me Verano Azul. Before 9 years old i didn't had a friend i could talk portuguese to. Most of the times we comunicated by pictograms on sand. Little Boy pissing to explain i had to go to the Bathrom. Ball and water (play football on the beach?). My work during those years was to be on my bike, wash dishes, play football and see how much of last years kids came back again. Only Endrik repeated himself a few years in a row. I went to the Circus just by the camping. Chen. Cardinali. I saw how circus people got all their elephants togheter, went to the beach and washed them halfway to the dunes from the camping. One time i even went with the Nederlands family that controled all the aquqatic activities in Sao Martinho to take a Dolphin outside the bay. The dolphin was lost. The first time i kissed a girl was in the camping. The first time a girl kissed me was in the camping. The first time i drank Baileys. The first time i went to a discoteque. The first time i asked a girl out. The first time i asked a girl in. The first time i cooked pasta. The first time on the ocean. The first time i bought a condom. The first time i drove a bycicle, a motorbike and a car. The first time i slept out. The very first time i fell in love was in the camping while washing dishes. I washed these dishes like never before on the history of washing dishes. The first time i woke up dressed in girls clothes on top of a dune with loads of chocolate mousse all around and a woman in my harms. There were a lot of last times in here. The last time someone stole me a kiss. The last time i fell love. The last time i was really surprised . So many things start and end in this place. I wouldn't want it any other way. Full and Alive.
Uma vez peguei numa amiga recente, (polaca, jovem e bonita) cruzei a serra de Sintra e aterrei ao entardecer/início de noite no Cabo da Roca. Bolos típicos quentinhos no colo. Saímos do meu carro para a ventania lá fora. Portátil e bolos na mão. Ambos quentes. Sentamo-nos no chão junto a um pequenino muro, para não sentir o agreste do local. Desembalamos os nossos doces, sorriamos para as nuvens vermelhas e de mil outras cores e o som que jorrava do computador preenchia os poucos espaços em branco. "Such a Perfect Day" Lou Reed. A partir desse momento esta menina ficou especial para mim .. a minha pequenina Zlotko. Outro dia .. no extremo oposto desta jangada que nunca irá a lado nenhum de nome peninsula ibérica, surgiu este entardecer que me enterneceu. Saio da minha feina com um sorriso nos lábios, beijo pronto a sêr disparado na tua direcção ... Pim ... Pam .... Pum.

muitas vezes vou a descer a rua e individuos chegam ao pé de mim e dizem : ó pedro .. fado ?
É verdade. Ouço Fado. Gosto de Fado e "prontos". Então e porquê ? Porque entre muitas outras coisas existe um fado para cada situação de vida. (...) Era eu miudo. Recém entrado na mui nobre Universidade da Beira Interior. Um dos passatempos favoritos de eu era entrar no comboio em direcção á Beira Interior, sair e voltar a entrar no comboio em direcção a Lisboa. Vinha para Lisboa passear. Ouvir música, comprar bugigangas na feira da ladra e deitar de barriga para o ar no miradouro de São Pedro de Alcântara. Deitava na relva com o meu walkman e sorria. Quando chegou o dia de me encontrar ali com o meu primeiro grande Amor, a música que saía sem pedir licença do meu walkman era a Estrela da Tarde (Carlos do Carmo / Ary dos Santos). Assim quando vejo a menina surgir ao longe naquele final de tarde, estas eram as palavras/sons que estavam a entrar em mim :

"Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia,
eu esperava por ti, tu não vinhas tardavas e eu entardecia ..
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo, mordia
quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhamos tardamos no beijo que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria (...) "

É assim que as músicas ganham vida em nós. É assim que pequenos instantes ficam marcados como momentos únicos na pequena vida de um pequeno rapaz. É assim que muitas e muitas pessoas continuam a ouvir fado. Continuam a ouvir vida.
Esta é uma praia muito bonita. A praia muito bonita tem o nome de São Martinho do Porto. Esta praia é uma baía. Visto do ar esta baía tem uma forma perfeita de concha. O clube da terra tem o nome de concha azul. Todos os verões o Pedro e os seus amigos vão a esta praia. Têm aventuras muito giras e histórias engraçadas para contar. A água desta baía está sempre muito suja. O mar nesta praia nunca tem ondas. O Pedro e os amigos vão muito contentes nos seus veiculos para uma praia que tem a água muito limpa. Nesta praia de água limpa, quase nunca se pode tomar banho, porque todas as ondas que não existem na baía vêm aqui morrer enormes. A bandeira raramente não está vermelha. A praia da água limpa tem uma rede de vólei. Todos jogam vólei no verão. Todos vâo á discoteca no verão. Todos querem jogar futebol ao fim da tarde na baía. Todos estão na praia no 3º fim de semana de Agosto. Além do Pedro e dos amigos, todas as outras personagens da praia se repetem em loop todos os anos. O circo visita a praia 3 vezes por ano, sempre em Agosto. O Pedro quando era petiz viu elefantes a tomarem banho na baía, mas ninguém acredita nele. O Pedro viu também uma estrela que de cadente não tinha nada .. era verde e gigante e brilhava e caíu ao mar. Ninguém acreditou. No verão fazemos almoços convívio. No verão fazemos jantares convívio. No verão alguns de nós comemos um bolo chamado pampilho. No verão sempre encontramos personagens míticas do Universo de São Martinho, como o Herói. Existem locais com nomes como : gropius, miramar e parque dos medões. Cada uma destas palavras usadas numa conversa com o Pedro ou algum dos seus amigos, origina uma série de histórias que para o espectador não farão qualquer sentido, mas que têm uma transcendência especial para o Pedro e os seus amigos. A palavra verão tem sentido se associada á fotografia acima colocada. Mesmo que o Pedro ou algum dos seus amigos não pouse lá os pés, Verão é em São Martinho do Porto.
One day i was sad. Sad as i was , headed to the ocean .. crossed the whole Sintra hills and arrived in a suuny afternoon at Guincho. I do not clearly recall but i bet all my inexistent money that on my radio, Bethânia was singing. Parked my car and stared for a while the long stip of sand, the water filled horizon, the mountain ... everything and nothing really. Got out .. as allways the wind was literally mindblowing. Coat. Camera ready to shoot. Laid on the sand and minutes later i heard footsteps on the sand near me .. "someone's passing by..." Minutes later i sat down and took this photo of the person who had just crossed my path. What is she freakin' doing here ..at this time .. with this wind? I kept on shooting , sand ..water ... birds and rocks and after a while approaching this woman i noticed she was crying. I could just stay still or not. I regret too many things in my life to just stand sill when i see this happen. I walked up to her slowly ... not wanting to scare or give her any reasons to feel alarmed. I went smoothly and she noticed in my eyes that she wasn't the only one crying that day on the sand. She was a foreign girl. German i think. We sat down .. talked ..shared thoughts , emotions, fears and pain. And hopes , and a few smiles and laughs. We even hugged gently. When it was so dark that we could only hear the ocean waves but not see them anymore we just went to our cars and prepared to leave. I had in mine a copy of paul auster's book "In the country of lost things" .. i wrote something apropriate on the cover and gave it to her. She smiled again. No tears coming out of her eyes. We never met again .. we did not share names. All i have except for the moment in me is this picture taken from a distance. People do exist.
author
Jake Simms
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